Neste espaço pode-se escrever as experiências boas e ruins, é uma forma de passar para os outros nossas dificuldades ao trabalharmos em um país que as Leis e Decretos ficam apenas no papel. Quando criei este blog queria tão somente desabafar a frustração de ver tantos alunos aqui em Goiânia sem intérprete de libras, provocado pelo descaso do governo, mas depois percebi que poderia fazer mais, então comecei a postar textos de pessoas que nem conheço e gostei de ter lido. Achei que compartilhando esse material estaria ajundando outras pessoas em suas pesquisas, o que eu não pensei é que teria tanto acesso em tão pouco tempo, visto que meu blog foi criado em abril de 2011. Gostaria de agradecer a todos que têm acessado este blog, e espero ter ajudado e contribuido com alguma coisa. Se você tiver um texto que possa me enviar eu o postarei, assim estará me ajudando também.(regisneia@gmail.com)

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domingo, 29 de abril de 2012

INCLUSÃO E EXCLUSÃO UMA PERSPECTIVA DE MUDANÇAS

SOCIEDADE MESTRA DE EDUCAÇÃO E CULTURA DE GOIÁS
FACULDADE PADRÃO DE GOIÂNIA
CURSO DE PÓS GRADUAÇÃO EM ENSINO ESPECIAL: INCLUSÃO E DIVERSIDADE









RELATÓRIO FINAL DE CURSO: INCLUSÃO E EXCLUSÃO UMA PERSPECTIVA DE MUDANÇAS








GOIÂNIA, FEVEREIRO DE 2012
SOCIEDADE MESTRA DE EDUCAÇÃO E CULTURA DE GOIÁS
FACULDADE PADRÃO DE GOIÂNIA
CURSO DE PÓS GRADUAÇÃO EM ENSINO ESPECIAL: INCLUSÃO E DIVERSIDADE


AUTORAS:
ELIVÂNIA RODRIGUES DAMAS
GISLAINE ALVES MENDONÇA SOUZA
LUCY NUNES DA SILVA




RELATÓRIO FINAL DE CURSO: INCLUSÃO E EXCLUSÃO UMA PERSPECTIVA DE MUDANÇAS

Trabalho apresentado como requisito para conclusão do curso de Pós – Graduação em Educação Especial: Inclusão e Diversidade, orientado pela professora mestra Maria de Fátima Chagas Diniz.














GOIÂNIA, FEVEREIRO DE 2012
SUMÁRIO


1.    Introdução
2.    Descrição do Percurso da Educação Inclusiva no Brasil
2.1 Deficiências Auditivas
2.2 Deficiências Visuais
2.3 Síndromes de Down
2.4 Múltiplas Deficiências
3.   Descrição da Visita
3.1 Auditiva
3.2 Visual
3.3 Síndromes de Down
3.4 Múltiplas Deficiências
4.   Análise das Observações
4.1 Aluno Surdo
4.2 Aluna Deficiente visual
4.3 Aluna Down
4.4 Aluno com Múltiplas Deficiências
5.   Considerações Finais
6.   Referências 

1.       INTRODUÇÃO

               O objetivo deste trabalho é apresentar uma reflexão acerca da educação inclusiva nas escolas de Goiânia e regiões: Goianira e Linda Vista. Fazendo uma análise crítica a partir das visitas realizadas nos campos de observação e a relação existente a partir da realidade vivida, com as contribuições teóricas durante o curso.
                Foram feitas quatro (4) visitas em campos diferenciados, com observações e registros. Entre essas, estão às diferentes modalidades de deficiências que as escolas recebem e de que forma conseguem lidar com os desafios encontrados. Durante a visita também foi dado ênfase na formação do professor que desempenha as funções de intérprete de libras e professor de apoio.
            Para a realização do relatório foram utilizadas pesquisas de observação e bibliografias para que possam dar o suporte teórico necessário para compreender cada forma de deficiência, como também como tem sido desenvolvido o processo de inclusão nas escolas, a partir do contemplado nas Leis de Diretrizes e Bases da Educação nº 9.394/96, como também, a legislação que garante o direito aos alunos portadores de necessidades especiais.
            As observações foram feitas através de visitas em Escolas que incluíram alunos com deficiências entre elas: visual, auditiva, Down, múltipla deficiência e Centro de apoio aos portadores de Síndrome de Down de Goiás, e contou com, a colaboração de profissionais da educação com a experiência por trabalharem alunos com Necessidades Educativas Especiais (N.E.E.) no ensino regular.
            Acredita-se que ao término deste Relatório, o grupo possa ter maior conhecimento da realidade vivida nas escolas campos observadas, quais suas dificuldades e os pontos positivos da inclusão nas escolas desta região. 

2.       DESCRIÇÃO DO PERCURSO DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA NO BRASIL

No Brasil, a política inclusiva está sendo implementada nas escolas públicas e privadas da rede regular de ensino, das exigências contidas na Legislação brasileira no Decreto nº 3,298/99 e nos artigos 205 e 206 da Constituição Federal 1988. Além de estar na Lei de Diretrizes e Bases (LDB), que prevê currículos, metodologia e técnicas diferenciadas no intuito de adequar ao atendimento dos alunos com Necessidades Educativas Especiais.
O trabalho aponta para uma necessidade de rever os conceitos de inclusão social, considerando que a realidade encontrada é de muitos alunos com Necessidades Educativas Especiais, porém, com algumas dificuldades por parte das escolas de realmente desenvolver inclusão social, conforme a Legislação assegura. (OLIVEIRA et al., 2006; LDBEN, 2001).                                                                                                                                                            Oliveira nos diz ainda que: esse modo de incluir esses alunos não consiste apenas na permanência física dos mesmos junto aos demais educando, mas nas condições ideais de cada instituição em receber cada um. Sabendo que esse processo de inclusão é lento e gradativo, faz-se necessário uma reformulação dos Currículos e métodos utilizados, tendo como intuito a formação de professores melhor capacitados para trabalharem com alunos portadores de deficiência e com os que não têm nenhuma deficiência, visto que a palavra Inclusão engloba: mulheres, negros, índios e pessoas que estão na lista de brasileiros abaixo da pobreza. Para tanto, é preciso considerar de suas especificidades, conforme consta na Declaração de Salamanca:

Princípio fundamental da escola inclusiva é o de que todas as crianças devem aprender juntas, sempre que possível, independentemente de quaisquer dificuldades ou diferenças que elas possam ter. Escolas inclusivas devem reconhecer e responder às necessidades diversas de seus alunos, acomodando ambos os estilos e ritmos de aprendizagem e assegurando uma educação de qualidades a todos através de um currículo apropriado, arranjos organizacionais, estratégias de ensino, uso de recurso e parceria com as comunidades. Na verdade, deveria existir uma continuidade de serviços e apoio proporcional ao contínuo de necessidades especiais encontradas dentro da escola. (BRASIL, 1994).

Assim sendo, a Declaração aponta para a necessidade de lembrar que, é preciso que as escolas estejam preparadas para contribuir com a aprendizagem dessas crianças. Independente de suas dificuldades, mas que os professores tenha a capacidade de saber intervir adequando as condições de cada um.
            De acordo com os estudos de Martins.

“Reconhecemos que desenvolver um processo de educação inclusiva não é algo fácil. Não é algo que se consiga por um “passe” de “mágica”, requer planejamento, aceitação das diferentes maneiras de ser e de se expressar de cada educando, assim como uma reflexão permanente sobre as práticas empreendidas na escola, visando à oferta de respostas adequadas às suas necessidades” MARTINS (2006, p.24).

                A autora propõe que a solução “é uma troca de saberes e experiências”, e que existe um leque de ações empreendidas e de pessoas envolvidas nesse processo, com o intuito de trabalhar os desafios oferecidos nas salas de aulas, bem diferentes das partes teóricas ensinadas aos professores.    
              Na perspectiva do professor Francisco José Lima (2006, p. 63), a inclusão, não pode ser algo que se fala e sim que se vive; que ela deve ter a participação de todos pelo todo, com todos.
             A partir dos autores estudados, e com os avanços quanto à compreensão das diferentes deficiências, pode-se constatar que esse termo “deficiente” é inadequado e que embarga uma carga negativa e depreciativa, surgindo assim uma nova forma de descrever, passando para “pessoa especial”. Com o aporte teórico recebido pelo grupo, foi possível compreender que a pessoa especial pode ser portadora de deficiência única ou múltipla sendo eles: deficiência visual, motora, mental e auditiva (BRASIL, 1994; FRIZANCO & HONORA, 2009; ROMEU SASSAKI, 2003).
Segundo os autores Glat & Nogueira em seu artigo cujo título é: Políticas Educacionais e Formação de Professores para Educação Inclusiva no Brasil ressaltam que:

“A noção de escola inclusiva, cunhada a partir da famosa Declaração de Salamanca (UNESCO, 1994), em nosso país toma uma dimensão que vai além da inserção dos portadores de deficiências, pois esses não são os únicos excluídos do processo educacional. É fato constatado que o nosso sistema regular de ensino, programado para atender àquele aluno “ideal”, com bom desenvolvimento psicolingüístico, motivado, sem problemas intrínsecos de aprendizagem, e oriundo de um ambiente sócio-familiar que lhe proporciona estimulação adequada, tem se mostrado incapaz de lidar com o número cada vez maior de alunos que, devido a problemas sociais, culturais, psicológicos e/ou de aprendizagem, fracassam na escola” (GLAT & NOGUEIRA, 2003, p. 2). 

                Muitos estudos estão sendo feitos para podermos trabalhar nessa área que tem nos oferecido dilemas e controvérsias, quando se tenta separar integração de inclusão, pois por mais que os professores se dediquem, esse estigma de Integração do aluno portador de Necessidades Educativas Especiais,  ainda está  enraizado em sua concepção antiquada, não permitindo que  novo paradigma de Inclusão mude esta concepção. “É fundamental que as agências formadoras façam um maior investimento em recursos humanos e programações formativas pra que todos os professores que destinam a trabalhar no ensino infantil e fundamental em nossa escolas se sintam habilitados a lidar com todos os tipos de criança” como afirma Pires (2006, p. 169). Em seguida descreveremos um pouco acerca das modalidades de deficiências observadas pelo grupo de Estagiárias. 

2.1   DEFICIÊNCIAS AUDITIVAS

            Segundo o Censo de 2000, existem no Brasil cerca de 5,7 milhões de pessoas com deficiência auditiva, ou seja, 2% da população apresentam uma perda auditiva.
            Temos como definição de Deficiência Auditiva, descrita na lei nº 5.296/04, “a perda bilateral, parcial ou total, de quarenta e um decibéis (dB) ou mais, comprovada por audiograma nas freqüências de 500hertz, 1.000hertz e 2.000hertz” (Revista Ciranda Da Inclusão, 2010).
É por meio da audição que conseguimos identificar e reconhecer os diferentes sons do ambiente, além de podermos nos comunicar com nossos semelhantes. O sentido da audição está envolvido com o processo de aquisição de linguagem, com a aprendizagem e com a produção da voz. Isso indica que uma alteração de audição pode causar prejuízos em vários outros sistemas (FRIZANCO & HONORA, 2009). 

2.2    DEFICIÊNCIAS VISUAIS 

É considerada deficiente visual a pessoa que "apresenta acuidade visual igual ou menor que 20/200 no melhor olho, após a melhor correção, ou campo visual inferior a 20° (de acordo com a tabela de Snellen).
Serão divididos em dois grandes grupos devido às diferenças entre eles: baixa visão (conhecida também como visão subnormal) e cegueira. Segundo o Conselho de Oftalmologia, estima-se que no Brasil há 4 milhões de pessoas que apresentam uma deficiência visual que seria um percentual de 25% ou seja (1 milhão), (SILVA, 2011). 

2.3   SÍNDROMES DE DOWN 

                Sobre Síndrome de Down podemos constatar que: É uma das mais comuns deficiências intelectuais, resultado de uma cópia extra do cromossomo 21, assim, onde deveria haver dois, há três cromossomos. Sendo chamado de trissomia 21 e provoca um excesso de 329 genes por célula. A Síndrome de Down é considerada um acidente genético. Embora o cromossomo 21 seja o menor cromossomo humano, sua trissomia altera gravemente o fenótipo de uma pessoa.
As pessoas com síndrome de Down apresentam baixo peso e tamanho no nascimento, hipotonia (musculatura mais flácida que o normal), pescoço curto, prega na pálpebra superior no canto interno dos olhos (o que os deixa parecidos com pessoas orientais), macroglossia (língua grande e flácida), feições características e estatura baixa, além de problemas cardíacos, retardo mental e suscetibilidade a infecções respiratórias, leucemia e doença de Alzheimer, em alguns casos, na mesma porcentagem para pessoas consideradas normais, só que 30 anos mais cedo. A incidência da síndrome de Down é de um caso para cada 700 nascimentos. (Revista Ciranda da Inclusão, 2010). 

2.4   MÚLTIPLAS DEFICIÊNCIAS  
As pessoas portadoras de deficiência múltipla são aquelas afetadas em duas ou mais áreas, caracterizando uma associação entre diferentes deficiências, com possibilidades bastante amplas de combinações. Exemplo, deficiência mental e física. 
Segundo Honora; Lopes (2009, p. 113), “Expressão adotada para designar pessoas que tem mais de uma deficiência. É uma condição heterogênea que identifica diferentes grupos de pessoas, revelando associações diversas de deficiências que afetam, mais ou menos intensamente, o funcionamento individual e o seu relacionamento social”. 

3. DESCRIÇÃO DA VISITA

3.1 AUDITIVA 

Em entrevista com a coordenadora Gisele Maria, foi relatado que processo de Inclusão Escolar tem sido muito lento, ora a escola não dispõe de condições físicas, ora não há profissionais qualificados para exercer a função de apoio ou intérprete de libras. A Escola Estadual José Rodrigues Naves, situado na cidade de Goianira, conta com um deficiente físico e um aluno surdo. Dentro das dificuldades a escola por ter certo empecilho territorial, e não podendo contar sempre com o apoio dos governantes, construiu rampa e adequaram os banheiros. Os professores regentes não foram treinados para trabalhar com alunos com Dificuldades Educativas Especiais não havendo assim um tratamento diferenciado a não ser o de piedade. A coordenadora ficou do início do ano até o mês de março tentando conseguir um intérprete de Libras para o aluno que demonstrava exigência pra poder ter alguém que pudesse ajudá-lo na tradução voz-sinal/sinal-voz. Diante da dificuldade de encontrar uma pessoa totalmente qualificada para exercer a função, a escola aceitou alguém que ainda não tinha experiência, e que estava cursando Libras.
Os professores afirmaram que o aluno era dispersivo e agressivo, muitas vezes eles o confundiam achando que ele pudesse ouvir conversando em voz alta ou gritando, as aulas fluíam normalmente sendo reconhecido por eles esse tipo de preconceito, porém disseram que a culpa não era deles e sim dos governantes, que tinha aderido a Lei de Ensino Para Todos, sem qualificar os professores para mais essa área do conhecimento ou mesmo treinar um pessoal específico.
Segundo a coordenadora os professores estavam cansados das horas trabalhadas, e quando chegavam à noite que era o turno do aluno referido, eles não dispunham de paciência ou tempo. Ela afirmou que tentava conciliar a situação e desejava muito que o aluno terminasse logo e ensino médio, que o ele sempre estudara lá, que muitas vezes não tinha ninguém para ajudá-lo, que os professores o passava de ano, mesmo sabendo que ele nada detinha em seu aprendizado.

3.2 VISUAL 

A Escola Benedito Lucimar Haskcth da Silva está sendo preparada para se tornar um modelo na região próxima a cidade de Guapó, sendo coordenada por Adriana no turno vespertino e tendo como diretor Sr. Eduardo. As adequações que facilitariam a locomoção dos deficientes físicos e portadores de deficiência visual não poderiam ser feitas, devido sua estrutura antiga, então uma nova Escola estava sendo construída no terreno ao lado, enquanto isso as dificuldades eram visíveis á todos. Não havia rampa, nem pista de sinalização para deficientes visuais ou expositores aos alunos surdos. O diretor sempre pedia professores de apoio e intérprete de Libras para a Secretaria de Educação vezes era atendido, vezes não.
 Os professores se esforçavam, contudo, muitos ainda sentiam que tinham que aprender a trabalhar a inclusão. Vários materiais didáticos pedagógicos tinham chegado pra auxiliar aos alunos com deficiência visual como: prancha com reglete, materiais didáticos em Braille, máquina de Braille e muitas coisas que poderiam ajudar aluna na sala digital, o problema é que ninguém nem mesmo a aluna sabia usá-los, e tudo era apenas enfeite e estava juntando poeira em um canto qualquer da Escola.  Todos os funcionários estavam tentando se adequar pra integrarem a aluna e não incluí-la. Os professores de apoio que lá trabalham também não sabiam como proceder com uma aluna deficiente visual, as dificuldades se misturavam com o desejo de ajudar o que acabava no final excluindo a aluna. Segundo o diretor Eduardo, muito ainda tem que ser feito, que ele se esforça pra compensar as falhas da Escola, e que espera que esta Escola seja considerada como um local, onde de se trabalha a Inclusão com respeito aos alunos com Dificuldades Educativas Especiais. 

3.3   SÍNDROMES DE DOWN 

                Sob orientação da professora Sara Marques Bringel estivemos em uma visita a Associação Down de Goiás (ASDOWN), uma entidade sem fins lucrativos de abrangência estadual, de caráter social, educativo, científico e cultural. Lá eles trabalham com o intuito de informar os familiares sobre a doença e sociabilizar a pessoa com Síndrome de Down, um trabalho focado no combate ao preconceito e integração desses indivíduos na Sociedade. Fundada em 1993 por pais que tinham uma preocupação em atender seus filhos. A instituição sobrevive basicamente de doações e trabalhos voluntários. Fomos recebidas pela coordenadora Ana que tem dois filhos com Síndrome de Down, e nos pareceu ser uma mãe muito dedicada e empenhada no projeto da ASDOWN.
            Através desta visita associamos alguns sintomas observados nos alunos exemplo: caso de Maria Thereza, uma adolescente muito inteligente, que gosta de se comunicar e fazer novos amigos, ela tem um pouco de dificuldade para conversar, sendo que seu irmão apresenta mais dificuldade. A adolescente Jéssica é de poucas palavras e menos sociável uma característica de qualquer pessoa que não é Down. Eles estudam em escolas regulares e participam em horário vespertino na ASDOWN, lá eles brincam, aprendem a balancear a alimentação, recebem apoio nas disciplinas entre outras coisas. Suas características fisionômicas lembram os orientais com seus olhos meio puxados, as meninas estão um pouco acima do peso ideal para sua idade e altura. Portanto é preciso fazer um acompanhamento com nutricionista para terem uma alimentação saudável, pois segundo informações, eles podem se tornar obesos, o que acarretaria novas doenças. No mais eles são pessoas alegres, meigas e carinhosas, o que não se pode confundir com mudança de humor, uma característica de qualquer ser humano. 

3.4 MÚLTIPLAS DEFICIÊNCIAS 

Em visita a Escola Estadual Maria do Carmo Franco, a estagianda foi recepcionada pela diretora Cleires Pereira Batista e pelo coordenador Luís Roberto da Silva que a ambientaram na escola, sendo esta um local tranqüilo, arejado e bem limpo, enquanto lá estava à professora regente Fabiana Gonçalves e a professora de apoio: Elaine Nunes, ambas lhe descreveu sobre a especialidade do aluno Jaime. Após as apresentações do aluno e da estagiária, foi designado um local ao final da sala pra serem feitas as observações. Assim como consta na ficha de matrícula o aluno é portador de transtorno especifico das habilidades escolares (F81) associando déficit auditivo, hemiparesia discreta, estrabismo divergente a de glaucoma. Normalmente é ministrado Fluoxetina 20 mg 1xx Metilfenidato 20mg 2x, em doses diárias.
 Para um melhor rendimento do aluno, foi designada a professora de apoio, no intuito de auxiliar a professora regente no ensino das disciplinas que ainda não tiveram as modificações exigidas pelo Currículo atual. Foi observado que a Escola não dispõe de material pedagógico para facilitar o aprendizado do aluno e nem sala de recursos que atenda suas necessidades. 

4. ANÁLISES DAS OBSERVAÇÕES.

     4.1 ALUNO SURDO 

                Na semana de observação foi percebido que o aluno ainda tem muita dificuldade no aprendizado, por mais que sua intérprete se esforce para passar-lhe o conteúdo proposto nas aulas. É perceptível o preconceito por parte tanto dos professores quanto dos alunos, visto que não é fácil para eles terem um aluno especial em sala de aula comum, sendo o mesmo muito desinteressado e às vezes estressado. Também foi observado pela estagianda que a profissional Intérprete de Libras se desdobrava para levar até o seu aluno a melhor interpretação e atender seus anseios, visto que seu maior interesse é vê-lo formado e aceito sem discriminação pela sociedade.
            Em suma, a tentativa de eliminar os preconceitos e de incluir os alunos portadores de deficiências nas escolas de ensino regular ainda terá um longo caminho a percorrer, não apenas profissionalizando professores para este trabalho específico, mais um trabalho de conscientização a nível Nacional seguindo uma norma de Diretriz às Escolas Estaduais e Municipais, somente assim poderá romper essa barreira que ainda existe. O caminho ainda é árduo, mas, sobretudo olhando a história que temos da trajetória dos surdos, podemos constatar que houve uma grande melhora nestas duas últimas décadas. Nos atuais dias eles conseguiram conquistar seu espaço mesmo que pequeno na sociedade brasileira, com a legislação da (Lei nº 10.436), que reconhece como meio legal de comunicação e expressão e Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), regulamentada pelo (Decreto nº 5.626).  

            4.2  ALUNA DEFICIENTE VISUAL 

Em observação a aluna deficiente visual, pôde-se perceber quão difícil é para os professores dar total atenção a aluna que não tinha nenhum apoio orientacional. Uma colega ao lado tinha se oferecido para auxiliar a aluna, que darei o nome fictício de Maria, porém como ela confundia deficiência auditiva com visual, estava sempre falando em voz alta com Maria. Os professores regentes sem saber como proceder levavam as aulas normalmente como se ali não tivesse uma aluna cega. No horário do lanche Maria aguardava que a colega lhe trouxesse o lanche, pois a Escola oferecia muitos obstáculos físicos, mesmo com bengala, era quase impossível de se locomover.
Ao soar a sineta pro intervalo, Maria esperou que todos saíssem e então foi até uma mureta próxima de sua sala e se sentou. As aulas não tinham figuras em relevo ou qualquer material que pudesse contribuir com seu aprendizado, tendo ela no dia da prova, sua prova feita pela colega, sendo assim a nota que sua auxiliar tirava era a mesma nota que ela recebia em seu boletim. Maria não sabia somar ou ler em Braille. Dias depois ela estava cursando no CEBRAV o que lhe garantiria uma melhor forma de aprender, e tornar-se mais independente.
As dificuldades encontradas pelos professores são grandes. Sem preparação, e nenhum aval dos legisladores, sim, porque as Leis são feitas, mas segui-las é um grande problema. As escolas não têm material didático para o deficiente visual e quando tem não há um profissional que possa manuseá-lo, os professores não têm habilidade, tempo e disposição pra ficar oferecendo atenção para aquele aluno cego, se ele parar todas as vezes que o aluno quer sua atenção à sala de aula vira de cabeça pra baixo, sendo que os próprios alunos que não têm deficiências, não são orientados desde cedo pra conviver e respeitar o deficiente seja ele cego, surdo ou cadeirante. A solução não é simples, pois muito tem que acontecer no Brasil em termo de aceitação e adaptação para receber esses alunos portadores de Necessidades Educativas Especiais.

4.3  ALUNA DOWN

Para Vygotsky (2003), a aprendizagem está presente desde o início da vida da criança, qualquer situação de aprendizagem tem sempre um histórico precedente, ao mesmo tempo em que produz algo internamente novo no desenvolvimento do indivíduo.  Orientando-se pelo raciocínio trilhado pelo autor, na explicação da interação entre desenvolvimento e aprendizagem, é possível avaliar não apenas o nível de desenvolvimento que a criança apresenta até o momento, mas também o que é mais importante: os processos que ainda estão ocorrendo. Vygotsky acredita que a aprendizagem cria a zona de desenvolvimento proximal, ou seja, ela ativa processos de desenvolvimento que se tornam funcionais na medida em que a criança interage com pessoas em seu ambiente, internalizando valores, significados, regras, enfim, o conhecimento disponível em seu contexto social.
Enquanto fazíamos as observações na ASDOWN, uma colega perguntou para Ana que além de exercer a função de coordenadora atualmente é a presidente da instituição: como ela trabalha a sexualidade com sua filha que tem quinze anos? Então, ela respondeu que conversa normalmente com a filha como faria com qualquer outra adolescente, que não vê o porquê de privar sua filha das descobertas que o corpo sente nessa idade só porque ela sofre Down, que aconselha o que pode e o que não pode ser feito quando está namorando, disse que ao chegar a hora apropriada irá orientá-la sobre prevenção de gravidez e doenças sexualmente transmissíveis sem nenhum tabu. Que Maria Thereza é muito inteligente faz aula de piano para desenvolver as coordenações motoras, tira boas notas na Escola e leva uma vida normal como qualquer adolescente que não tenha Down.
Falar de inclusão para indivíduos com Síndrome de Down significa entender que seu grau de desenvolvimento e socialização pode ser bastante satisfatório, a partir do momento em que passam a ser vistos como indivíduos capazes de fazer parte de um mundo para “habilidosos e competentes”. Isso remete, pois, à necessidade dessas pessoas participarem e interferirem com certa autonomia em um mundo, onde as pessoas são semelhantes, apesar das diferenças. É na convivência com os outros e com o meio ambiente que as necessidades de qualquer ser humano se refletem. Torna-se fundamental, assim, a compreensão de que a inclusão de qualquer cidadão, com Necessidades Educativas Especiais ou não, é determinada pelo seu contexto de vida, isso depende das condições sociais, econômicas e culturais da família, da escola e da sociedade.

4.4   ALUNO COM MÚLTIPLAS DEFICIÊNCIAS 

Assim como compreende que integração da pessoa portadora de deficiência em seu pleno direito individual e social dentro das salas comuns de ensino no que diz o Decreto 3.298, Entende-se que o profissional de apoio que trabalha com esse aluno deve ter experiências conjuntas para exercer esta função. Muitas vezes o aluno observado se descontrolou repentinamente e sua professora auxiliar teve que tentar acalmá-lo. Apesar de seus colegas estarem acostumados com sua atitude intempestiva, há momentos que eles se assustam, a professora regente em algumas circunstâncias deixa de ministrar os conteúdos para poder ajudar a professora de apoio a tranquilizá-lo ou mesmo para de dar aulas e fica estupefata observando a agressividade do aluno. Dividida a professora regente quer fazer sua parte, mas os outros alunos exigem muito dela. Mesmo com toda sua dificuldade de aprendizagem, Jaime tenta interagir na aula mostrando assim, a todos que ele deseja ser tratado como aluno que quer ser igual aos outros, gosta de brincar de pular corda e jogar futebol com os colegas, o que é bom, visto que auxilia na sua coordenação motora.
As propostas metodológicas devem incluir desafios ao seu pensamento, visto que o motivo é fazê-lo ter certa autonomia, sendo assim as atividades devem focar na estruturação ou coordenação de suas próprias ações, devemos levar em consideração que eles são capazes de criar, reinventar e descobrir o conhecimento através do meio em que se relaciona. Muitas vezes o professor terá que propor atividades individuais, mas não deixando de esquecer que o coletivo é que o faz se sentir incluído na Sociedade. Os demais alunos precisam aprender a se relacionar com este aluno, respeitando suas limitações, incluindo-o em seus grupos de trabalho. Enquanto que o professor regente deve observá-lo para poder desenvolver um conteúdo que o integre nas disciplinas trabalhadas em sala de aula, o aluno com múltiplas deficiências deve perceber que ele esta criando e cooperando com seus colegas, que não apenas a professora de apoio faz sua parte, mas ele contribui para que ela seja feita (Rosa, 2008). 

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente estudo teve como objetivo observar o desenvolvimento e aprendizagem de alunos portadores de deficiência Auditiva, Visual, Down e Múltiplas Deficiências procurando identificar o desempenho psicomotor, cognitivo, socioafetivo e interativo com o meio.
Observamos que muitas pessoas ainda resistem à ideia inclusivista, definindo-a como utópica e inviável. Apontam obstáculos existentes, desde o despreparo do professor, a falta de estrutura das escolas, o preconceito da sociedade até o sistema capitalista. Em muitos momentos se posicionam como se esperassem algo pronto, como se fosse responsabilidade do outro lutar por uma causa que é de todos. Além disso, ocorre uma confusão conceitual em torno da integração e da inclusão, prevalecendo uma situação paralisante, originada provavelmente do receio à mudança de tendências impregnadas na formação acadêmica e gestão do sistema de ensino, em linhas gerais reprodutoras, e antidemocráticas, bem como devido à condução das políticas públicas fundadas em concepções que excluem a participação dos educadores, vistos como meros executores, resultando na falta de comprometimento.
De acordo com Chaveiro et al. , em um artigo para a revista virtual da editora Arara Azul, (2009), pode-se concluir que: “A palavra inclusão tornou-se a palavra-chave que determina relações em ambientes tais como escolas, empresas, entre outros.” É importante percebermos nos dias atuais, que  o  termo: processo inclusivo não é o mesmo que processo de integração, pois esse termo inclusão engloba os indivíduos que por anos foram descriminados como: mulheres, negros, índios e deficientes.
Contudo, apesar de não deixarmos de apontar as dificuldades existentes diante do processo de inclusão, vimos alguns avanços nessa área. Ainda que a passos lentos e até de modo equivocado, as legislações versam sobre os direitos humanos, proporcionando à população a oportunidade de defender o seu espaço. Dentro dessa ótica, o deficiente e todos os demais ocupam um lugar de reconhecimento, em oposição ao período em que não eram vistos nem como seres humanos.
Os estágios feitos anteriormente foram muito importantes para o acréscimo empírico do docente. Enquanto se observava os professores em sua dinâmica, experiência e competência, pôde se perceber o quanto a Educação Escolar se faz importante na vida do indivíduo, além das diversas maneiras de se comunicarem em todas as fazes do aluno, independente de ser portador de Dificuldade de Necessidades Educativas Especiais ou não.
            Os portadores de Necessidades Educativas Especiais apesar de todas as lutas, para terem seus direitos respeitados ainda precisarão ter muito apoio de toda comunidade para que se faça valer os direitos conquistados. Não basta apenas que se aprovem as leis e decretos se as pessoas não se conscientizarem primeiro que, todos somos iguais e que as diferenças apenas nos aproxima, nos tornando mais solidários e humanos. Sabe-se que toda mudança requer uma quebra de valores e paradigmas, desconstruir conceitos e preconceitos implica em abrir a mente deixando nascer novas ideias (NICOLOSO & SILVA, 2009).
Esse Curso de Pós-graduação foi muito importante em nossa área profissional, as experiências trocadas com professores, e com a orientação da coordenadora de Pós em Educação Especial, poderão trazer-nos uma perspectiva melhor de como proceder em sala de aula, quando nós tivermos que oferecer atenção a um aluno “especial”. Devemos ficar de olhos e coração abertos não deixando que mancha do preconceito nos atinja. Ser solidário requer amor, ser professor requer abnegação, ambos pertencem a uma só palavra: SOLIDARIEDADE.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

______. Declaração de Salamanca e linha de ação sobre Necessidades Educativas especiais, Brasília: CORDE, 1994.

______. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação dá outras providências. Diário oficial [da] República Federativa do Brasil, Poder Legislativo, Brasília, DF, 20 dez. 1996.

______. Decreto-lei n° 3.298, de 20 de dezembro de 1999. Regulamenta a Lei n° 7,853, de 24 de outubro de 1989. Que dispõe sobre a Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência, consolida as normas de proteção, e dá outras providências. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 20 dez. 1999.

______. Secretária Educação Especial. Diretrizes nacionais para a educação especial na educação básica. Brasília: MEC, SEESP, 2001.

______. Lei nº 10.436, de 24 de abril de 2002. Dispões sobre a Língua Brasileira de Sinais – Libras e dá outras providências. Diário oficial [da] República Federativa do Brasil, Poder Legislativo, Brasília, DF, 25 abr. 2002. Seção 1, p. 23.

______. Decreto-lei n° 5.626, de 22 de dezembro de 2005. Regulamenta a Lei n° 10.436, de 24 de abril de 2002, e o art. 18 da Lei n° 10.098, 19 de dezembro de 2000. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 23 dez. 2005. Seção 1, p.28.


CHAVEIRO, Neuma. et al. Mitos da Língua de Sinais na Perspectiva de Docentes da Universidade Federal de Goiás. Revista Virtual de Cultura Surda e Diversidade, Petrópolis, RJ, n. 5, 2009. Disponível em:  http://www.editora-arara-azul.com.br/revista/compar3.php. Acesso em 5 de maio. 2010.

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Livro Ilustrado De Língua Brasileira De Sinais, organizado por Márcia Honora e Mary Lopes Esteves Frizano. São Paulo-SP. Ed. Ciranda Cultural 2009.
Livros Ciranda Da Inclusão, autoras Márcia Honora e Mary Lopes Esteves Frizano. São Paulo - SP. Ed. Ciranda Cultural 2009.
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NICOLOSO, Silvana; SILVA, Soélge Mendes da. Lendo sinalizações em Libras: onde está o sujeito? In: QUADROS, Ronice Müller de; MARIANE, Rossi Stumpf (Org.). Estudos Surdos IV. Petrópolis, RJ: Arara Azul, 2009.
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VYGOTSKY, L. S. Pensamento e Linguagem. 3.ed. São Paulo: Martins Fontes, 2005.


Goiânia, 28 de fevereiro de 2012

Alunas:
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Gislaine Alves Mendonça Souza

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Lucy Nunes da Silva


Coordenadora e orientadora:
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Maria de Fátima Chagas Diniz

Eu e minha orientadora professora Maria de Fátima
Bem pessoal, graças a Deus eu terminei minha Pós-graduação e tirei a nota máxima dada pela professora que foi 9,5, assim como ela diz: 10 é apenas para mestrandos. Em todo caso estou muito feliz, demorei postar este meu trabalho por falta de tempo, claro que respeitei todas as normas da ABNT, e mais uma vez não foi fácil concluir mais um curso. Espero ter ajudado todos vocês com meus exemplos e que façam melhor do que fiz. 
 PS. Olá pessoal!
Gostaria de atualizar meu perfil: estou trabalhando na área de informática como webdesigner pela minha Empresa Soluções Informática.