Neste espaço pode-se escrever as experiências boas e ruins, é uma forma de passar para os outros nossas dificuldades ao trabalharmos em um país que as Leis e Decretos ficam apenas no papel. Quando criei este blog queria tão somente desabafar a frustração de ver tantos alunos aqui em Goiânia sem intérprete de libras, provocado pelo descaso do governo, mas depois percebi que poderia fazer mais, então comecei a postar textos de pessoas que nem conheço e gostei de ter lido. Achei que compartilhando esse material estaria ajundando outras pessoas em suas pesquisas, o que eu não pensei é que teria tanto acesso em tão pouco tempo, visto que meu blog foi criado em abril de 2011. Gostaria de agradecer a todos que têm acessado este blog, e espero ter ajudado e contribuido com alguma coisa. Se você tiver um texto que possa me enviar eu o postarei, assim estará me ajudando também.(regisneia@gmail.com)

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quinta-feira, 9 de junho de 2011

Paralisia Cerebral/Deficiência Intelectual

Imagem Google criança sentada com paralisia olhando com sorriso nos lábios
Paralisia cerebral:
Definição: A paralisia cerebral é uma doença do foro neurológico que afeta as funções básicas do ser humano (fala, postura, movimento).
Existem vários tipos de paralisia cerebral: espástica (em que o movimento é difícil); atetósica (o movimento é descontrolado e involuntário); atáxica (o equilíbrio e a sensibilidade profunda são anormais); mista (uma combinação de vários tipos).
Causas/sintomas e sinais
A paralisia cerebral é provocada por uma lesão no cérebro e no sistema nervoso ocorrida antes do nascimento; durante o parto ou depois do nascimento. Os sintomas variam consoante a área de extensão da lesão, podendo incluir: tiques; perturbação da marcha; espasmos; convulsões e fraco tônus muscular. Para além da motricidade, a paralisia cerebral também pode afetar a visão, a audição, a inteligência e a fala.
Diagnóstico
A necessidade de um diagnóstico precoce prende-se com o fato de dar início à terapia o mais cedo possível. A paralisia cerebral pode manifestar-se logo à nascença ou mais tarde. Em caso de suspeita deve-se consultar um neurologista pediátrico a fim de determinar a extensão e localização de lesão cerebral, de forma a colocar de parte outras doenças.
Exames a efetuar
Análise de sangue e urina (para eliminar a hipótese outras doenças que produzam sintomas semelhantes): electroencefalograma (para medir a atividade elétrica do cérebro); electromiograma (para medir a ativação elétrica dos músculos); um TAC (para detectar alterações cerebrais).
Tratamento médico
O tratamento deve envolver uma equipe de profissionais ao nível da saúde: fisioterapeutas, terapeutas da fala e terapeutas ocupacionais, um psicólogo, um ortopedista e um neurologista. A paralisia cerebral não tem cura, o objetivo do tratamento médico é ajudar a criança a conseguir uma maior independência possível.
Alguns exemplos
As convulsões podem ser controladas por medicamentos; o tratamento ortopédico pode incluir talas, canadianas e aparelhos diversos que possam evitar contratura e outras deformações dos braços e pernas; a cirurgia ortopédica pode ser também uma opção cortando músculo e tendões contraídos (permitindo a sua distensão) ou unindo determinados ossos (de modo a estabilizar as articulações).
Ensino-aprendizagem
O processo ensino-aprendizagem deve ser organizado e estruturado de forma a privilegiar o desenvolvimento geral da criança ou jovem com paralisia cerebral. Deve existir uma equipe de profissionais que trabalhem no sentido de suprimir as dificuldades da criança ou jovem. A criança/jovem com paralisia cerebral deve beneficiar de áreas que possibilitem e auxiliem o seu desenvolvimento, tais como:
Terapia da fala – para elevar a capacidade de expressão oral e de comunicação;
Terapia ocupacional – de forma a desenvolver aptidões úteis que lhes permitam desempenhar tarefas de rotina;
Psicomotricidade – para melhorar a adaptação ao mundo exterior, através do domínio do equilíbrio, controle da inibição voluntária e da responsabilidade, consciência do corpo, eficácia das diversas coordenações globais e segmentárias, organização do esquema corporal, orientação espacial etc.;
Apoio psicológico – para acompanhar a criança/jovem durante o processo ensino-aprendizagem ao nível psicológico;
Fisioterapia – através da utilização do exercício e técnica de relaxamento; pra ensinar a caminhar com auxilio de canadianas muletas e outros aparelhos (como cadeira de rodas), para auxiliar a rotina diária da criança ou jovem.
Áreas de expressão – a dança e música podem auxiliar as crianças ou jovens a elevarem a sua coordenação, desenvolverem o tônus e foca muscular, autoconfiança etc. As atividades de expressão plástica, como pintura podem ajudar no desenvolvimento da motricidade, comunicação etc.;
Atividades aquáticas – o contato com água ou realização de exercícios dentro de água auxiliam um melhor funcionamento do sistema circulatório, respiratório, fortalecimento dos músculos, aumento do equilíbrio, relaxamento muscular, diminuição de espasmos, aumento da amplitude de movimentos etc.
Massagem – aliviam espasmos e reduzem contrações musculares;
Informática – a utilização do computador pode ajudar ao nível da comunicação, assim como o nível da motricidade fina;
Atividade da vida diária – para trabalhar a higiene, segurança, entre outros.
A criança ou jovem com paralisia cerebral pode estar integrada no Ensino Regular ou Especial. Contudo, a criança/jovem deve beneficiar numa primeira instância de uma estimulação global e só posteriormente de uma iniciação acadêmica.
O trabalho realizado pelos técnicos (professor, educadora, psicóloga, terapeuta etc.), assim como a interação de todas as áreas acima a mencionadas deverão procurar elevar o nível cognitivo, autonomia pessoal e social, comunicação, psicomotor, sócio-afetivo, assim como desenvolver a área sensorial-perceptiva. (MAZZILLO, 2003, P. 93).
Terminologia nova para antigos preconceitos:
Em agosto de 2006, durante a Convenção Internacional de Direitos Humanos das Pessoas com Deficiência, da Organização das Nações Unidas (ONU), ficou definido que a nomenclatura mais adequada para referir-se às pessoas com a chamada deficiência mental na verdade é deficiência intelectual. (Ciranda da Inclusão, 2010). Ainda temos na matéria que essa deficiência não é considerada uma doença ou um transtorno psiquiátrico, e sim um prejuízo das funções cognitivas causado por um ou mais fatores que acompanham o desenvolvimento do cérebro. É considerado deficiente intelectual “pessoas com funcionamento intelectual significativamente inferior à média, com manifestação antes dos 18 anos e limitações associadas a duas ou mais áreas de habilidades adaptativas. Os diagnósticos devem ser reavaliados antes dos seis anos de idade, visto que nesta fase de desenvolvimento, muitas mudanças e estimulações podem ocorrer, alterando as características da criança. Segundo pesquisas, nas escolas especializadas, o índice de alunos com Deficiência Intelectual chega à 60% dos alunos matriculados, já nas escolas regulares o índice chega à 27%, estes dados correspondem ao Censo Escolar de 2005. (Esclarecendo as deficiências, 2009).
Características dos Alunos com Deficiência Intelectual
Área motora: algumas crianças com deficiência intelectual leve não apresentam diferença significativas em relação às crianças consideradas “normais”, porém podem apresentar alterações na motricidade fina. Nos casos mais severos pode-se perceber incapacidades outras mais acentuadas, tais como dificuldade cd coordenação e manipulação. Podem também começar a andar mais tardiamente.
Área cognitiva: alguns alunos com deficiência intelectual podem apresentar dificuldades na aprendizagem de conceitos abstratos, em focar a atenção, na capacidade de memorização e resolução de problemas, na generalização. Podem atingir os mesmos objetivos escolares que alunos considerados “normais”, porém em alguns casos com um ritmo mais lento. 
Área da comunicação: em alguns alunos com deficiência intelectual é encontrada dificuldade de comunicação, acarretando uma maior dificuldade em suas relações.
Área sócio-educacional: em alguns casos de deficiência intelectual ocorre uma discrepância entre a idade mental e a idade cronológica, porém temos de ter claro que a melhor forma de promover a interação social é colocando os alunos no contato com seus pares da mesma idade cronológica, para participar das mesmas atividades, aprendendo os comportamentos, valores e atitudes apropriados da sua faixa etária. O fato de o aluno ser inserido numa turma que tenha sua “idade mental”, ao invés de contribuir para seu desenvolvimento, o infantiliza e dificulta seu desenvolvimento psíquico-social. (Esclarecendo as Deficiências, 2009). 
Dicas que podem ser importantes para o trabalho com os alunos com Deficiência Intelectual:
  • Focar a atenção, dando prioridade aos objetivos que queremos ensinar;
  • Partir de contextos reais;
  • Criar situações de aprendizagem positivas e significativas, preferencialmente em ambientes naturais aos alunos;
  • Usar situações em formas mais concretas possíveis;
  • Transferir comportamentos e aprendizados adquiridos para novas situações;
  • Dividir as tarefas em partes, aumentando as dificuldades gradualmente, respeitando o timo do aluno;
  • Motivar, elogiar o sucesso e valorizar a autoestima;
  • Atender não só a área dos conhecimentos acadêmicos, como também os aprendizados que melhorem a qualidades de vida de todos os alunos;
  • Experimentar situações do cotidiano no campo dos conhecimentos acadêmicos, como ensinar a ler e escrever o nome, o endereço, a utilizar o telefone, a ler informações do ponto de ônibus, das placas e dos rótulos, a ver as horas, compreender o valor monetário, a fazer compras e a dar troco, a organizar materiais, a utilizar os utensílios domésticos, a ter higiene pessoal, a se comportar em diferentes ambientes, a utilizar transporte público, a se comunicar e a se fazer entender por diferentes pessoas;
  • Utilizar, em seu trabalho, diferentes tipos de linguagem, como música, artes expressões corporais, entre outras;
  • Crer, principalmente, que o aluno com deficiência intelectual pode aprender como outra criança, só é preciso acreditar nisso e ter as ferramentas necessárias; e
  • Acompanhar continuamente o processo de aprendizagem do aluno, registrando suas observações, para poder, com o tempo, perceber quais são os meios traçados por cada um, em especial, para aprender, pois não há um perfil único para os alunos com deficiência intelectual. (Revista Ciranda da Inclusão, 2010).
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Honora, Márcia; Frizanco, Mary Lopes Esteves. Ciranda da Inclusão (Esclarecendo as Deficiências), São Paulo, 2009.

MAZZILLO, Ida Beatriz Costa Velho; Fundamentos Teóricos e Metodológicos da Inclusão, Curitiba: IESDE Brasil A.S., 2008. 
Revista Ciranda da Inclusão, 2010.